Na correria para fugir do capitão mascarado – que estava atrás de mim e de Tom por motivos totalmente desconhecidos -, acabei me perdendo de Tom, que devia estar desesperado chorando em uma hora dessas. Mas isso não importa. O que vem realmente ao caso é que eu tinha várias perguntas acumuladas para fazer e não tinha ninguém que pudesse respondê-las, como por exemplo: 1) Por que diabos eu estava em uma floresta cheia de abelhas gigantes carnívoras, fadas fofinhas e irritantes e piratas loucos e fedorentos? 2) Quem era esse tal de Tom com quem eu nunca havia falado antes dessa situação? 3) O que os piratas estavam querendo atrás de nós? 4) Como vim parar aqui? 5) Por que eu estou perdendo tempo, parada atrás de um arbusto em forma de rato pensando nisso?Saí correndo desesperada indo para lugar nenhum e a única coisa que eu via eram galhos e mais galhos misturados com folhas secas e insetos estranhos para toda a parte. De vez em quando vinha uma fadinha ou outra tentar me animar com suas varinhas de condão fofas e minúsculas, e seus colares de flores igualmente fofos e minúsculos. Hmm. Quer saber de uma coisa? Nunca gostei de fadas. E agora muito menos. Elas são fofas de mais para o meu gosto... Sempre achando que um colarzinho de florzinhas vai concertar tudo. Se aparecesse mais um daqueles seres ridiculamente meigos, eu seria capaz de fazê-las engolir aquelas malditas varinhas. E tem mais, se não fosse pela minha situação atual... Ai!!! O que foi isso que se bateu contra mim? Uau, isso doeu! Se for mais uma fada...
- Ei! – gritou Tom para mim.
- Ai.
- Onde você estava?! – Ele estava sujo, desesperado, e falando histericamente...
- Você não iria acreditar se eu contasse. – frase típica.
- Estamos numa floresta cheia de abelhas assassinas, fadas, e temos piratas vindo atrás da gente. Acha mesmo que eu sou capaz de não acreditar? – disse Tom surpreso
- Hmm. É, tem razão. Estava atrás de um arbusto em forma de rato laranja.
- Tem razão. Não acreditei. – Ah, e também estava descalço.
Ficamos nos olhando por algum tempo e só não caímos na gargalhada porque ouvimos algum barulho atrás de nós, meio distante, mas perto o bastante para nos deixar em alerta e sair dali. ”Mas podem ser algumas fad...” tentou protestar Tom antes de eu o mandar tomar no rabo.
Nos escondemos barulhentamente atrás de um arbusto laranja em formato de porco dançando – socoorroo *canta* - e vimos alguns piratas chegando atentos como nunca.
- O pirralho gay e a garota estressada não podem ter ido longe. – afirmou o pirata mais próximo, magro e desnutrido.
- Você é gay? – cochichei para Tom.
- Eu sou? – ele pareceu surpreso – Fran se nós formos por ali eles não vão nos ver, acho.
- COMO VOCÊ SABE MEU NOME SEU PERVERTIDO? - gritei absolutamente sem pensar, Tom tapou minha boca rapidamente, mas não foi rápido o suficiente para os piratas não perceberem onde estávamos.
Tom pegou meu braço e me puxou seguramente para poder acompanhá-lo a fugir dali. Saímos correndo em meio aos arbustos e conseguíamos ouvir os piratas indo atrás de nós com seus passos barulhentos e vozes esganiçadas. O terror paralisante começou a tomar conta de mim assim que um pirata apareceu em nossa frente, e o restante nos cercou.
- Nos entregue o Jack – gritou o primeiro pirata
- Sabemos que está com vocês – berrou o segundo.
- PAREM DE GRITAR! – indignou-se o terceiro em um urro ensurdecedor – Rápido garoto, vai ser melhor pra vocês – continuou o terceiro pirata, balofo e simpático calmamente, com sua arma na mão.
Assim que Tom insistiu que Jack – seja lá o que fosse – não estava conosco – fiquei completamente parada enquanto via a cena transcorrer, poderia nocautear o pirata ao meu lado facilmente, mas seria inútil, pois os outros dois atirariam em Tom, mas se ele se abaixasse e fosse o mais rápido possível para... Bom, a questão é que meu raciocínio parou por ai e não consegui mexer um músculo se quer – fomos amordaçados – Tom foi relutante ao máximo, mas eu simplesmente me rebati, desistindo logo e ficando branca como papel logo depois – e levados nos ombros do pirata mais forte até um pequeno galpão frio e apavorante no meio da floresta feliz e fofa.
Assim que entramos na pequena peça de madeira úmida iluminada por algumas velas perdidas por ali, os piratas largaram Tom no chão e pela primeira vez desde que apareceram, notaram realmente minha presença.
- Onde está o Jack garota?
- N-n-não sei. – tentei não gaguejar, mas foi impossível.
- Ande, vai ser pior – falou o pirata apontando para uma faca ao seu lado.
- MAS EU NÃO SEI.
- Tem certeza?
- Sim. – tentei parecer calma e decidida enquanto o pirata colocava a arma sobre minha cabeça.
- ESTÁ COMIGO! – gritou Tom. Tirando um macaquinho colorido de pelúcia do bolso. O macaco sorria e cabia na palma da mão, parecendo um aqueles brinquedos que todo bebe costuma destruir. Os piratas viraram e quase choraram de emoção ao ver o pequeno macaquinho delicado.
Tom me olhou de lado e, em um movimento rápido, jogou o pequeno Jack em minha direção, gritando algo parecido com “Olhe no bolso dele!”. Peguei o macaquinho no ar e me escondi atrás da cadeira para poder ver o que tinha no bolso do pequeno bichinho de pelúcia.
Desajeitada, abri o bolso de Jack, e uma luz branca invadiu o lugar quase me cegando. Não consegui ver onde Tom estava, e a luz era tão intensa que nem o pequeno Jack era mais visível.
A luz passou.
Olhei para o lado e minha irmã gritava comigo sem parar.
- FRANCIELE! – bufou ela com raiva – Nunca mais tome o remédio do nosso avô sem me avisar!!! Sua débil.
Olhei ao redor e percebi que estava atrás da cadeira da cozinha, com um pano de prato na mão.
- Pensei que estava em uma floresta encantada com... Ah, deixa. – fiquei assustada – Uau, o remédio é forte mesmo.
- Por que você acha que nosso avô o toma? – Nesse momento percebi que na blusa da minha irmã tinha nada mais do que uma grande fada bordada, meiga e delicada. Hmm. Será que um acidente com uma tesoura seria uma boa opção?
É, seria.
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Feliz Páscoa mels (assassinato ao português intencional) queridos pastéis!
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-Carol, o grande pudim


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