quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

P.s.: Sou um menino


1º dia -

Hmmm, sinceramente não sei como começar essa coisa. Acho que nome é legal, né? O.K. Meu nome é Ashlecsah Leshqet e meu sobrenome não vem ao caso - se um dia você conseguir pronunciá-lo sem se engasgar e ir parar no hospital ou enrolar a língua e babar na sua tia-avó, ou até mesmo deixar seu chicle cair no chão, eu conto, O.K.? -. Ah, outra coisa importante: Eu sou um menino.
Só estou escrevendo esse diário porque minha psicóloga - ou, em outras palavras, minha mãe - disse que seria uma ótima experiência. Há, há, na verdade ela quer descobrir se eu tenho namorada e se sou virgem, mas sinceramente, seria meio gay se eu chegasse à sala pulando e falasse "Hei, mãe. Agora sou um homem!" ou essas coisas estranhas que vemos em filmes. - espero sinceramente que um dia ela não leia isso, e quando eu achar uma borracha, vou apagar essa ultima parte -
Meus colegas não conseguem pronunciar meu nome, o mais perto que chegam é "Ashley" e isso não é muito bom para minha reputação. Sinceramente, não sei como minha mãe - Marina - e meu pai - Jorge - conseguiram um nome tão estranho e impronunciável para colocar em mim, meu irmão, por exemplo, se chama Rodrigo. Acho que fui vitima de alguma conspiração médica para começar a colocar senhas em crianças, ao invés de nomes. Mas isso não vem muito ao caso...
Sou extremamente desajeitado - não, sério, semana passada eu coloquei refrigerante na tigela de água do meu cachorro, e fiz minha avó comer ração sem querer. Desculpe vó, eu sei que a senhora vai sair do hospital, afinal, infecção não é tão grave assim... - e preguiçoso, por isso vou parar de escrever, devo ter alguma coisa mais importante para fazer do que ficar escrevendo em um guardanapo.
Não, não tenho. Mas mesmo assim vou parar de escrever.

2º dia -

Eu já falei que sou preguiçoso, não é?

3º dia -

Não estou colocando a data porque se um dia algum dos meus primos ler isso, eu posso mentir que tinha quatro anos de idade e estava chapado.

4º dia -

Definitivamente isso não esta me ajudando. Vou dar esses guardanapos para meu cachorro comer - e torcer para que ele não vomite em cima do meu tênis novo - que eu ganho mais. Pelo menos não vou mentir quando minha mãe perguntar do diário - mais uma coisa gay na minha vida - e eu ter que falar "O cachorro comeu".

P.S.: Importante: não sou gay.
P.S.2: Não tão importante: meu cachorro não é uma maquina de comer - mas quase - e se chama Cebola, não me pergunte por que.

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