
Fred e Arthur voltavam para a A.S.P.E.S.S.C. depois de ter que salvar uma velinha indefesa das garras de seu liquidificador. Sim, eles eram agentes secretos. Sim, eles trabalhavam para uma dessas organizações não-governamentais de segurança privada. E sim, eram tão desqualificados que o máximo que conseguiam era desvendar o roubo de uma barra de chocolate do vendedor ambulante da estação de metrô – para descobrir, mais tarde, que a barra estava no bolso do próprio Fred -.
Fred tinha dezessete anos e estava na A.S.P.E.S.S.C. a dois. Cabelos loiros e lisos, corpulento – resultado de horas e horas diárias na academia – e alto. Você pode pensar que ele fazia o maior sucesso com as garotas... Mas, não chegue a essa conclusão, pois Fred não era considerado bonito, e sim, como as garotas costumavam chama-lo ‘pegável’. Era um tremendo galinha e adorava as maravilhas mais conhecidas como ‘garotas’. Já Arthur, era quase completamente o oposto. Dezessete anos igualmente, 6 meses na empresa, cabelos escuros e lisos, magro, alto e extremamente, indiscutivelmente, fielmente, e eternamente gay.
Enquanto brigavam pelo rádio, o celular tocou. Só podia ser Ted, seu chefe – que embora fosse um velho de sessenta anos, gordo e bravo, era zombado por seu nome diariamente -.
“Sua vez de ouvir...” cantarolou Fred para Arthur com satisfação prevendo alguma repreensão – provavelmente por ter derrubado a velinha escada a baixo, ou ter batido o carro da empresa contra a caixa de correio... -. Arthur pegou o celular temendo o que iria ouvir...
- Sim...? – perguntou ele pouco amedrontado.
- Escute aqui, seus dois retardados, eu quero saber com QUE SALÁRIO vocês vão pagar o hospital para a dona Carminda, e uma caixa de correios nova – além do carro, DE NOVO -! Afinal, já foi descontado todo o salário de vocês só em danos para a empresa! – gritou Ted do outro lado da linha enquanto sua secretaria tentava faze-lo tomar alguns calmantes.
- Vamos dar um jeito, chefe, sem problemas – Mentiu Arthur desligando o telefone.
- E aí? – perguntou Fred, que estava dirigindo.
- Você tem razão, a velha era mesmo de Portugal... – bufou Arthur revoltado.
- Eu te disse! – gritou Fred com ar sábio comemorando internamente o ganho de 100 dólares.
Quando chegaram a agencia, enquanto Fred lutava contra a maquina de café expresso e Arthur o chamava de nojento por causa disto – não se sabe por que, mas este é o adjetivo mais usado por Arthur – uma mulher alta e consideravelmente bonita se aproximou e pediu-lhes para comparecerem à sala de Ted. Onde, os dois sabiam perfeitamente bem, seriam solicitados para uma missão. No caminho, entre cantadas baratas – de Fred para moça com nome desconhecido -, gritos de “Isto foi nojento!” – de Arthur para Fred -, e tapas zangados – da mulher sem nome em Fred – passaram por Tick e Tack – não, não é o barulhinho do relógio, são os apelidos profissionais dos caras – que, como sempre, tentavam irritar os dois.
- E ai, casal, quantos carros já bateram hoje? - perguntaram Tick e Tack com a irritante mania de falar em uni som.
- Ô do relóginho, como está a Thara? – perguntou Fred com pose desinteressada olhando para as unhas com o punho fechado. Thara é a atual namorada de Tick, que já foi pega aos amassos com Fred no corredor, e mesmo assim foi perdoada pelo namorado.
- Está ótima sem você, cretino, por quê?
- Sei lá, me deu uma saudade dela... Ótima sem mim? Não era bem isso que ela falava no meu ouvido ali no corredor... – continuou Fred.
Depois deste argumento, Tack foi obrigado a segurar seu parceiro que a esta hora já estava pulando no pescoço de Fred.
O trio continuou andando e ignorando as ameaças de Tick a todo volume. Quando chegaram à sala de Ted, o mesmo estava sentado em sua gigantesca cadeira que dizia por si mesma “Hei, este é o chefão.”.
Depois de esperar os garotos se sentarem, Ted começou o discurso quase diário:
- Eu não tenho nem idéia de POR QUE vocês continuam trabalhando aqui, sinceramente!- gritou ele – Já é o terceiro incidente com carros da empresa esta semana!
- Ãhn, com licença, nas minhas humildes contas, foi o quinto... – mencionou Arthur antes de levar um soco no braço, dado por Fred.
- Alguém traga meu remédio de pressão! – gritou Ted para as paredes – Bom... Isso REALMENTE não vem ao caso. O que interessa é que vocês foram designados - não me perguntem por que – para mais uma missão de nível F.
- Porque não somos nível “E”? Eu sei que “F” de “Femininos” é ótimo, mas poderíamos subir um pouco e começar a desvendar casos de verdade, assim como Lucas e Johny! – falou Arthur, se referindo a dupla de nível “A” que desvendava os crimes mais curiosos do país enquanto ele e Fred concertavam liquidificadores que faziam um “Vruuuum” alto de mais.
- “F” de Fodões. – corrigiu Fred.
- Femininos? Fodões? – Ted gargalhou muito, muito alto – FRACASSADOS, é isso que vocês são! – continuou rindo – Saiam daqui e passem na mesa da minha secretária para pegar o relatório do caso.
Na casa do cliente:
No relatório estava escrito que os dois teriam que seguir o namorado de uma jovem, que havia terminado com ela por ter outra – e a rejeitada havia os contratado para descobrir quem era a “cretina” – então eles não haviam porque se preocupar, certo? Certo.
Ao tocar a campainha, uma menina de mais ou menos 16 anos abriu a porta.
- Posso ajudar? – disse ela com ar meigo. Só pelo ar de babão que Fred fez, Arthur percebeu que ele havia se apaixonado pela garota, claro, ao jeito dele.
- Somos da A.S.P.E.S.S.C – anunciou Arthur pronunciando a sigla da empresa como se fosse uma palavra em outra língua. – E não, não somos russos. – completou, já que a maioria das pessoas, ao ouvir o nome da agencia pensava que sim.
- Então porque o nome? – perguntou a garota assustada.
- Agencia de Segurança Privada Especial Super Super Cara. – Disse Fred ainda babando pela beleza da jovem. “O cara além de louco, é cego.” Pensou ele se referindo ao ex-namorado da garota.
Alissa – o nome da garota –, ainda desconfiada dos dois serem russos, deu-lhes uma foto do namorado, e o endereço do local que o cara – Thomas – ia todas as tardes.
Bar Romma:
Ao chegar ao bar em que o namorado de Alissa ia diariamente, não avistaram nada, então resolveram relaxar e ler o relatório do caso enquanto aguardavam o rapas chegar.
- Hei, hei, olha isso! – gritou Fred mostrando algo escrito no relatório para Arthur – “Thomas Crendler, 18 anos, alto, moreno, olhos escuros” pra mim tem mais cara de maconheiro. – reclamou Fred, mostrando a foto do sujeito para seu parceiro. Que logo que viu, babou, sorriu, quase chorou de tanta alegria. “Droga. Expressão exagerada de um gay exagerado, o idiota gamou no cara.” Pensou Fred com sarcasmo.
Enquanto os dois discutiam sobre Thomas ser gay ou não, o mesmo chegava calmamente ao bar, onde uma garota o esperava.
- Ele não é gay! – gritou Arthur desanimado – Por favor, me deixa atropelar aquela vadia que acabou com meu sonho.
- Nããão! – gritou Fred enquanto Arthur fora de controle agarrava o volante do carro – precisamos saber quem é antes!
Já estava escurecendo e seria cada vez mais difícil identificar a garota, então os dois teriam que esperar até eles saírem do bar.
45 min depois:
Já estava de noite quando o trio – misteriosamente apareceu mais uma mulher que ficou ao lado de Thomas a noite toda, junto da outra – saiu do bar em direção à calçada.
- Meu Deus OLHE AQUILO! – gritou Arthur apontando para uma das garotas que estava ao lado de Thomas
Fred foi por cima de Arthur para poder ver melhor enquanto o mesmo gritava “Pare de se apoiar na minha cabeeeça! Está bagunçando meu cabelo!”. Fred logo reconheceu o rosto – e o corpo – da garota.
- É A THARA! – exclamou pegando o celular rapidamente.
- Por favor, posso atropelá-los? – perguntou Arthur histérico.
- Pare de ser assassino! Deixe só eu tirar algumas fotos disto para mostrar a um “amiguinho” meu. – Fred piscou com um sorriso de orelha a orelha, imaginando a cara de Tick depois de ver as fotos.
Enquanto apertava no zoom, para poder focar bem no rosto de Thara colado no ombro esquerdo de Thomas, já na terceira foto, Fred reconheceu mais uma vez o rosto – e mais uma vez o corpo – da outra garota agarrada em Thomas.
- DESGRAÇADOCACHORROFILHODEUMAÉGUA! – gritou raivoso – Aquele filho-da-mãe acabou com o MEU sonho!
Arthur olhou assustado para a janela perguntando-se se seu amigo tinha virado gay também... Foi quando identificou a secretária de Ted – a mesma daquela tarde -.
- Posso atropelá-los agora?
- VAI!
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P.S.inho da Drawer: Perdoem minha incrível falta de habilidade com mãos... ._.""